Secretaria de Meio Ambiente busca alternativas para promover o descarte correto de materiais como móveis e eletrodomésticos
Com um sofá velho para descartar e a boa intenção de fazer o certo para não prejudicar o meio ambiente, a professora Raíssa Marafon Motta buscou informações junto à administração municipal para saber como proceder. Após entrar em contato com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, a resposta recebida foi a de que não havia o que fazer, já que além de não recolher, a pasta não tem destino para este tipo de item. “A prefeitura não é responsável por recolher e não temos onde descartar. Fui orientada a desmanchar o sofá, utilizar a madeira como lenha e ir descartando as espumas aos poucos, o que não acho correto, uma vez que precisaríamos de uma solução”, relata.
O caso dela reflete uma realidade comum em Erechim, que enfrenta um problema histórico quando o assunto é o descarte de determinados tipos de lixo. O município não tem um local adequado para receber materiais como móveis velhos e eletrodomésticos da linha branca, por exemplo. Assim, cenas de lixões a céu aberto em espaços inadequados se tornam um problema cada vez mais recorrente, resultado não apenas da falta de consciência da população, mas também talvez, da dificuldade encontrada para fazer o procedimento correto.
Falta de recursos limita soluções
O secretário municipal de Meio Ambiente, Claudio da Silveira, afirma que a pasta busca uma solução viável para a situação, através da criação de um espaço que possa receber esse tipo de material. “A gente tem planos de construir ou mesmo alugar um local que possa servir de depósito para estes itens para que então depois eles sejam descartados dentro dos procedimentos corretos com o meio ambiente, trabalho que é realizado por empresas especializadas. Porém, no momento nosso maior impeditivo é a falta de recursos, pois isto demanda verbas que atualmente não temos”, pontua.
De acordo com ele, a proposta é pôr em prática uma iniciativa semelhante à campanha de recolhimento de lixo eletrônico, realizada duas vezes por ano, sendo a última há poucas semanas. “Esta é hoje a maior demanda que temos neste sentido, pois era muito comum termos materiais como televisões, computadores, celulares, micro-ondas, por exemplo, se acumulando em pontos retirados da cidade. Para evitar isso, criou-se a campanha, mas mesmo assim esse comportamento se repete em determinados períodos”, lamenta.
Mesmo sem prazos para dar início à proposta referente ao ‘lixo sem destino’, Silveira salienta que esta é uma das preocupações da secretaria, mas destaca que algumas demandas são mais urgentes. “Sabemos da necessidade de promover à população a possibilidade do descarte correto, por outro lado, este tipo de descarte não costuma ser tão frequente já que são materiais que tem uma vida útil mais longa, diferente dos eletrônicos, portanto, não são casos tão comuns”, ressalta.
O secretário orienta ainda a população a buscar alternativas viáveis a fim de não prejudicar o meio ambiente. “Infelizmente não temos uma solução imediata e orientamos a população que nos procure para tirar dúvidas. É necessário que todos sejam conscientes e também que busquem alternativas para não prejudicar a natureza. No caso dos móveis, às vezes é orientado o desmanche, já nos eletrodomésticos, a sugestão é que se busque empresas que trabalhem com estes materiais para ver da possibilidade de reutilização de peças, por exemplo. Quem quer fazer o correto sempre encontra um jeito”, pontua.
Vereador busca viabilizar projetos
Diante da falta de soluções, a população busca alternativas para que o problema seja resolvido. O vereador Claudemir de Araújo, por exemplo, relata a procura de várias pessoas para que o impasse seja solucionado. “Tanto quem precisa se desfazer de um móvel quanto quem presencia o descarte incorreto nos procura para encontrarmos soluções. No momento o que temos feito é buscar exemplos positivos de projetos em outras cidades para então aplicarmos aqui”, afirma, ao salientar que fez um mapeamento no qual localizou 23 descartes incorretos pela cidade.
O parlamentar afirma ainda que entre as iniciativas sondadas está a de realização de mutirões de limpeza nos bairros para o recolhimento dos lixos acumulados, trabalho que já é realizado hoje pela prefeitura, porém, em menor escala. “A ideia é que seja um mutirão justamente para contemplar este tipo de material que hoje não tem destinação, assim a população pode se organizar para o período destes mutirões”.
Além deste, ele cita a possibilidade de um aditivo no contrato da empresa prestadora de serviços de recolhimento de lixo. A ideia, segundo Araújo, é de que esta possa recolher e destinar corretamente materiais como isopores, que hoje não podem ser descartados junto ao lixo comum nos aterros. O vereador finaliza salientando ainda que o problema do descarte incorreto de lixo acaba se tornando também, em muitos casos, uma questão de saúde pública, uma vez que determinados materiais podem, por exemplo, acumular água parada, criando um ambiente favorável à proliferação de mosquito da dengue.