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Erechim

Prefeitura busca solução para o albergue

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Secretária de Cidadania, Linir Zanella e a primeira-dama, Rosmari Schmidt, estiveram ontem no alberg
Isakiel
Por Paola Seibt - paola@jornalbomdia.com.br
Foto Paola Seibt

Desordem e violência fizeram com que o locador requisitasse o imóvel de volta

 

O Albergue Municipal de Erechim, com capacidade para receber 25 pessoas, passa por uma situação delicada. Há décadas, o abrigo ocupa um espaço alugado da Paróquia São Pedro, que solicita há meses a devolução do imóvel. Agora, a administração municipal busca mudar a imagem que os cidadãos têm do local para convencer o locador a permanecer no espaço ou para que consigam alugar outro imóvel na cidade. 

Na tarde de quinta-feira (26), uma equipe da pasta da Cidadania, liderada pela secretária, Linir Zanella e pela primeira-dama, Rosmari Schmidt, esteve visitando o recinto. As duas revelaram que têm a incumbência de mudar a situação do albergue, tornando-o mais humano e digno, tanto para os funcionários que ali trabalham, quanto para as pessoas que o frequentam. Comparando com a primeira vez que estiveram lá, revelam que sentiram grandes mudanças. A cada ambiente que entraram, era um comentário diferente: “está tudo arrumado!”, “quanta diferença!”, “tudo cheiroso!”, “não está 100%, mas já está 80%.”

A secretária adjunta, Fabiana Cavagni, declara que a mudança de concepção irá refletir na sociedade e, quem mais irá sentir, será a vizinhança. Ela lembra que o albergue tem regras e que elas precisam ser seguidas e, desde que a nova coordenação assumiu, elas estão sendo levadas à risca. Afirma que o local é uma casa de passagem e não um lar permanente. A oficial executiva, Nádia Bobko, informa que apenas 11 pessoas têm autorização para permanecer ali o dia inteiro, pois estão em tratamento médico e frequentam os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da cidade.

Desde que os princípios têm sido seguidos, todos albergados que entram são revistados e, se estiverem armados, elas são recolhidas. “Foi só retomar isso, que já tivemos reflexo no entorno,” explica. A secretária tem o desejo de que o Albergue Municipal volte a ser uma casa de passagem, acolhedora e que quando alguém precisar dele saiba que será bem acolhido.

O novo coordenador do espaço, Isakiel Silva da Fonseca, está há pouco mais de dez dias atuando no abrigo e durante as revistas obrigatórias, realizadas antes da entrada dos albergados, disse que já recolheu diversos tipos de armamento de fabricação caseira e esclareceu que tudo será entregue para a polícia. Durante a vistoria no abrigo, Fonseca, fez questão de mostrar todo conserto que já havia providenciado, como nos banheiros e torneiras. Também aproveitou para solicitar materiais que ainda precisava para concluir outros reparos. 

A secretária adjunta já observou transformações com as mudanças impostas. “Os maus elementos que estavam sempre ao redor do albergue já não estão mais por perto. Queremos tornar isso aqui um local de respeito,” pontua.

Com esta mudança de comportamento, a tentativa também é de manter o Albergue Municipal no espaço em que ele está localizado atualmente, já que a busca por outros imóveis está sendo frustrante. “Procuramos diversos prédios, mas quando falamos que é para instalar o abrigo ninguém quer alugar e a vizinhança já se une para não deixar se estabelecer.” Por isso, a secretária Linir e a primeira-dama, Rosmari, pedem para que a comunidade também seja solidária a temática. “Muitos ligam para que resgatemos algum andarilho, por exemplo, mas quando ficam sabendo que o albergue pode ser seu vizinho, não querem receber. É uma contradição da sociedade, eles não querem ter o albergue na vizinhança. No entanto, não podemos instalar ele em um bairro distante, precisa ser no centro, para que as pessoas tenham acesso,” esclarecem. Fabiana acrescenta que, se o melhor caminho for a mudança, ela será feita, agora se ficarem, permanecerão com dignidade. Por esta razão, Linir e Rosmari, comentam que: “precisam que a comunidade dê um voto de confiança,” finalizam.

Os albergados que ali chegam recebem atendimento psicológico e com assistente social, visando reintegrá-los às suas famílias e inseri-los na sociedade de forma digna.

Paróquia São Pedro

Por telefone, o pároco da Paróquia São Pedro, o padre Paulo Bernardi, explica que a comunidade do entorno do abrigo já realizou um abaixo-assinado solicitando a saída do imóvel. De acordo com Bernardi, a situação é precária. “Ocorrem brigas e no ano passado já esfaquearam uma pessoa lá. Encaminhamos o pedido para a administração passada, faz um ano que o contrato não foi renovado e eles não saem,” completa. O padre confirma que com a nova administração o cenário mudou, está mais calmo, mas mesmo assim, ele garantiu que a paróquia quer o imóvel de volta. “A comunidade está pressionando. Esse pessoal fica na região o dia inteiro e você não sabe quem é quem. Reitero que não somos contra os pobres, mas contra essa situação,” finaliza.     

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