Construído há quase um século, o prédio onde funcionou a primeira escola de Erechim sofre os efeitos do tempo e chama a atenção de quem por ele passa, na Avenida Presidente Vargas, no centro da cidade. A construção, bem como o terreno onde está instalada, é de propriedade da família Rigoni, que mantém – além do antigo educandário – a casa onde morou o fundador da instituição, Carlos Mantovani, na esquina da mesma avenida.
O prédio, segundo relata Amaury Rigoni, um dos herdeiros do local, foi construído em 1919, dois anos depois da chegada de seu avô, Carlos Mantovani em Erechim, então Boa Vista. Inicialmente ele havia dado aulas em um barracão no terreno que havia adquirido para construir sua casa, antes ainda de se mudar para a cidade, acompanhado da esposa e de seu filho adotivo, Modesto Rigoni.
Professor do Estado, Carlos Mantovani vislumbrou a necessidade de instalar a escola em razão do grande crescimento que a cidade vinha alcançando na época. Segundo Amaury, o local é em partes responsável pela criação de duas das principais instituições públicas de ensino no município hoje, a Escola JB e a Escola professor Mantovani, a última inaugurada no ano de 1964. Durante alguns anos o prédio também foi usado como residência familiar.
Sem previsão de mudanças na construção
Conforme Rigoni, não há previsão de intervenções no prédio que, junto com os demais imóveis construídos no terreno da família, estão em processo de tramitação de herança. “Futuramente o local todo poderá vir a ser dividido entre os herdeiros, mas por enquanto, não há previsão de mexermos no prédio”, comenta.
Amaury, que atualmente é o responsável pelo local, afirma que seu desejo é de que tanto a casa quanto a escola sejam mantidos no terreno. “A família tem respeitado essa decisão e não há planos de mexer nas construções e nem vender a área”, pontua.
Ele cita ainda que as construções fazem parte não apenas do patrimônio da família, mas também da memória. “É uma lembrança familiar, não estamos tratando como mercadoria, embora não faltem interessados em comprar. Foi uma escolha nossa tentar manter ao menos um pouco de verde no centro da cidade que vem sendo tomado cada vez mais pelos prédios”, completa.