Entrar no pequeno sobrado campeiro de propriedade do vendedor aposentado Ervino Hartmann, 64 anos, representa viajar no túnel tempo e voltar ao passado. "Falcão", assim como é conhecido entre os amigos, decidiu colecionar relíquias e máquinas para preservar a história e da família e das pessoas que conheceu ao longo da vida. O espaço construído por ele há pouco mais de cinco anos, abriga um acervo com dezenas de produtos que marcaram gerações e participaram da colonização do Sul do Brasil e da região do Alto Uruguai. "Iniciei por que há muitos anos deseja juntamente com minha esposa preservar a história. Sabia que com o tempo muitas pessoas desconheceriam estes objetos", comenta Falcão.
O acervo conta com produtos variados utilizados no campo - balanças, plantadeiras, arados - e artigos domésticos como telefones, rádios, vitrolas, discos, instrumentos musicais, louças e talheres. Segundo "Falcão" é um dos maiores acervos particulares do Estado na atualidade. "Há pouco tempo oficiais do Exército estiveram aqui conhecendo a exposição. Eles relataram que nunca tinham visto uma variedade tão grande destes produtos juntos", explica. De acordo com Hartmann, todos os itens que fazem parte de sua coleção, foram doados por amigos que tem seu nome registrado em um livro. A relação está disponível para todos os visitantes em uma das salas do local. "Cada um trouxe alguma coisa e fui anotando e aos poucos chegamos aqui", ressalta.
Carteira de habilitação para charrete
Entre os itens à mostra, alguns que são praticamente desconhecidos na atualidade. Destaque para uma carteira de habitação para condutores de charretes, documento exigido pelas autoridades no ano de 1940, ou um telefone de manivela, em que era necessário girar para ligar até uma central e posteriormente esta passar a ligação para outra linha. Há também uma máquina utilizada na fabricação de hóstias.
Tirador de botas, gramofones e rabo de cavalo
Relíquias como rádios, vitrolas e gramofones e discos, estão funcionando em perfeito estado. "Muitos que não conseguem consertar, eu mesmo faço a restauração deixando como ele era quando funcionava", comenta. Nas paredes estão artigos curiosos como um tirador de botas ou um rabo de uma vaca. "Este servia para os antigos guardarem e limparem os pentes" destaca.
Moedor de milho
Nas paredes da casa estão capas de discos, moedas e cédulas antigas. Entre os ítens mais antigos está uma máquina batizada com o nome de D'Jona. " Esta tem quase 200 anos, vinda da Polônia. Era utilizada pelos primeiros imigrantes para moer o milho e fazer a farinha para alimentação", ressalta o aposentado.
Futuro da coleção
Sobre o futuro da coleção, Falcão comenta que ainda busca artefatos, como uma placa que muitas carroças e charretes tinham para trafegar em vias públicas. "Quero continuar aumentando e vou incentivar minhas netas quando elas tiverem maiores para que sigam guardando todo este material que faz parte da história", finaliza.
Visitação
O local é aberto à visitação pública e não há cobrança de ingressos. O proprietário pede que as pessoas que colaborem com doações de artigos e objetos antigos que não são utilizados. "Com certeza ficará guardado aqui em um local especial para que todos lembrem da história", finaliza.
Veja mais imagens do acervo no Bom Dia impresso desta quinta-feira (29)