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Blog do Neivo Zago

Neivo Zago

A Via-Sacra continua a mesma

Por Neivo Zago

É ainda tempo de advento revestido do clima especial para esta época do Calendário Litúrgico da Igreja Católica. Tempo de arrependimento, jejum, abstinência, reconciliação e caridade. É um tempo bem distante das orgias dos carnavais fora de época, com certeza! Ao menos, deveria ser assim!

A rememoração da Via-Sacra faz parte do tempo do Advento quando um número reduzido de fiéis, apenas algumas dezenas, se propõe a recordar a via-crucis, pela qual passou Jesus, fundamentada por um julgamento injusto (nada de novo, se compararmos à atualidade), sem provas, ou pior, com base em argumentos forjados, assim como sói acontecer quando a justiça, em vez de ser cega em suas atitudes, age, de acordo com os seus critérios, visando o bem-estar de alguns aquinhoados e prejudicando sensivelmente outros. Muitos fiéis conhecidos como “do tempo pascal”, vão à igreja apenas para comemorar a morte de Jesus e depois desaparecem definitivamente.

Como todos os anos eu procuro, além de participar das vias-sacras, analisar o texto com mais acuidade. De modo geral as mensagens são muito tocantes, porém, mais voltadas à Teologia da Libertação. Neste ano aborda o tem MORADIA e FRATERNIDADE, com o lema: Ele veio morar entre nós. Paradoxalmente desejamos “moradia para todos”, mas quando Jesus veio ao mundo teve que nascer em um estábulo, em uma manjedoura que é retratada pelos presépios, no Natal. Simples coincidência foi ver a dama Esbanja e o seu companheiro, presentes, por ocasião do lançamento da CF. Evidentemente que nas fileiras da CNBB há o lado sinistro. Quantos milhares de moradias dariam para construir aos necessitados apenas com o dinheiro que é solapado dos cofres públicos por meio de tanta corrupção, de tantos roubos, falcatruas em nível civil e governamental.

Os apelos retratados no texto da Via-Sacra destacam a começar pela omissão de Pilatos quando, na primeira estação diz: “Sou inocente do sangue deste homem. A responsabilidade é vossa”, me leva a conectar com o atual chefe-mor da nação, quando diz literalmente que “na política e preciso mentir, criar uma narrativa, e, pior achar um culpado”. A condenação apressada de Jesus reúne as acusações fáceis, os juízos superficiais entre o povo; boa parte deste O recebeu com louros no Domingo de Ramos, mas que foi ludibriado (não sei se havia botijão de gás, na época) e com outros auxílios.  

Na segunda estação diz que “é fácil trazer o crucifixo no peito ou pendurá-lo como ornamento nas paredes das nossas casas belas e seguras, mas não é fácil reconhecer as cruzes que muitos irmãos carregam especialmente os que vivem sem um teto, os moradores de favelas e cortiços, os que têm moradia indigna à beira de estradas ou barrancos de rios, os que vivem na ária de riscos, de alagamentos e deslizamentos, ou que estão em situação de rua, abandonados pela sociedade”. De quem seria a responsabilidade para resolver esse impasse? Obviamente dos governos, do Poder Público. Não fosse os desmandos, a corrupção, a apropriação do dinheiro público, a ganância de muitos administradores, nada, ou quase nada dessas mazelas existiriam. E todos teriam uma vida digna ou como diz aquele versículo bíblico: “trouxe vida digna para todos”.

Já, na quinta estação da Via-Sacra escreve que “um desconhecido chamado Cirineu ajudou a Jesus a carregar à cruz”. Ou seja: quem poderia e teria condições de fazê-lo hoje, ajudar a carregar a cruz, a ter vida digna suprida pelas necessidades básicas não seriam os governos das três esferas? Porém, como já preferido, fecham os olhos; se omitem de ver a realidade.

Por sua vez, na sétima estação, que lembra a segunda queda de Jesus o texto assevera: “Ele não cometeu pecado algum. Nenhum engodo foi encontrado em sua boca”. Já, na 12ª estação “o grito de Jesus é o grito do crucificado da história, do abandonado e do humilhado, do mártir e do profeta, de quem é caluniado e injustamente condenado, de quem está no exílio e na prisão”. Isso me remete aos tribunais que se alcunham a pecha de justiça.        

E assim, sucessivamente vão os apelos e exortações, nas demais estações da via-sacra, que, aliás, apenas alguns fiéis fazem o caminho durante as sextas-feiras da Quaresma. Todos são os convidados; poucos os que aceitam o convite.

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