Jejum e entropia
Parece que foi ontem. Talvez os leitores ainda se lembrem de que, no ano passado, aproveitei o tempo quaresmal para fazer um jejum de álcool e carnes. Não era uma jornada espiritual, mas havia um componente científico relacionado à minha capacidade de lembrar dos sonhos. Infelizmente, os resultados esperados não foram alcançados. Saí até pior do que entrei. De bom, ficou apenas a noção de que posso controlar meus impulsos, inclusive os que me levavam a beber. Passado um ano, proponho-me um novo jejum: o jejum dos maiores problemas brasileiros.
Novo jejum
Enquanto durar a quaresma, pretendo me desligar completamente dos debates políticos brasileiros. A ideia é saber se, depois da Páscoa, me sentirei uma pessoa menos densa e menos preocupada com o futuro do Brasil. Além disso, quero perceber que impacto essas notícias causam no meu dia a dia. De quebra, pretendo analisar se o que se passa com nosso país é verdadeiro ou se é uma mera novela, daquelas em que nada muda se perdermos alguns capítulos. No próximo parágrafo, vou “congelar” algumas notícias polêmicas e, quando voltar a acessar estes conteúdos, além de analisar minhas reações quanto ao tema, verei o que mudou e o que não mudou.
As polêmicas
A primeira polêmica que vou “congelar” diz respeito às investigações sobre o Banco Master, agora capitaneadas pelo Ministro André Mendonça. Será que vai para a primeira instância? Haverá novas provas reveladas pela Polícia Federal? Estaremos diante de um “Caso Epstein à brasileira”? Resta saber se outros ministros do STF estarão envolvidos nesta investigação. A segunda polêmica diz respeito ao desfile de carnaval do Rio de Janeiro, que em tese poderia tornar o atual presidente inelegível. Adotará o TSE nova régua de avaliação? Será que o Lula vai ser vítima de um “novo golpe”? E as pesquisas eleitorais? Até aqui, Flávio Bolsonaro estava em viés de subida enquanto Lula descia. Como ficarão estas notícias daqui a quarenta dias? Para não ampliar demais meu objeto de estudo, ficarei por aqui.
Meu pensamento
Agora, reproduzo aqui um texto que não é de minha autoria, mas que de certa forma retrata exatamente como penso. “Algumas pessoas sentem que o mundo está completamente fora de controle e se percebem impotentes diante disso. Mas princípios sutis nos lembram que somos parte de tudo aquilo que vemos. Devemos nos tornar as próprias coisas que desejamos vivenciar: paz, cooperação, cura, compaixão, amor e cuidado. Aquilo que escolhemos experimentar deve primeiro viver em nós, para que o campo tenha algo a refletir de volta. Assim, cada um de nós recebe da vida aquilo que se tornou. Esperamos que essas diretrizes nos ajudem a nos tornarmos pessoas melhores e, à medida que nos transformamos, ajudamos a construir um mundo melhor” (Joe Dispenza e outros).
A fase da entropia
Por fim, espero que este cenário caótico em que se encontra o Brasil - e que agora chegou à casa daqueles que tornam a nossa vida caótica – se alinhe com uma nova mudança. Uma mudança no padrão moral dos políticos, uma quebra deste ciclo de eterna impunidade, onde o poder supremo da República dá sinais de fraqueza e incapacidade moral. Estamos vivendo os “tempos de entropia”. Na termodinâmica, ramo da física que estuda a energia dos sistemas, a entropia é uma grandeza que mede o desperdício de energia de um sistema ou a energia que não pode ser transformada em trabalho. Quanto maior a entropia, mais "bagunçado" está o sistema e menos energia útil ele tem. É assim que vejo o Brasil e é assim que vejo a Suprema Corte hoje. Como será depois da quaresma? Não sei, mas peço licença pois agora vou dormir por quarenta noites.