A surdez de Saul
O juiz Samuel convocou o povo de Israel para a coroação do seu primeiro rei, Saul. Deus atendeu o pedido do povo e escolheu esse homem da tribo de Benjamim. A maioria ficou feliz e gritou “Viva o rei!”. O relato continua:
“Mas alguns homens malignos disseram:
− Como poderá este homem nos salvar?
E o desprezaram e não lhe trouxeram presentes” (1 Samuel 10:27).
Como o novo rei reagiu a essas ofensas? O mesmo versículo diz: “Mas Saul se fez de surdo”. Nisso, ele mostrou humildade, uma característica que Samuel elogiou (1 Samuel 15:17). Ele se fez surdo para não se preocupar com a opinião do povo, e prosseguiu na sua missão de serviço. Ele ouviu a voz do Senhor, e ignorou os homens que se opuseram.
É lamentável observar que essa atitude boa não durou. Em outros momentos, Saul se mostrou surdo em relação às palavras do Senhor. A desobediência dele em duas campanhas militares foi motivo de Deus decidir não estabelecer a dinastia de Saul (1 Samuel 13 e 15). A humildade do início do seu reinado sumiu, e Saul ficou mais preocupado com a opinião do povo do que com a vontade de Deus. Ele queria ser honrado diante do povo (1 Samuel 15:30) e ficou indignado quando Davi recebeu mais destaque do que ele (1 Samuel 18:6-8). Saul ouviu a voz dos homens, e ignorou a voz de Deus.
Há situações nas quais a surdez intencional seja boa. Não devemos priorizar a opinião popular, nem tomar decisões para receber honra. Quem imita o amor de Deus não será facilmente ofendido (1 Coríntios 13:5). Por outro lado, aquele que se entrega à ambição egoísta e se compara com os outros demonstra falta de entendimento e atitudes destrutivas (2 Coríntios 10:12; Filipenses 2:3). Devemos ignorar a voz de pessoas carnais.
Quando Deus fala, porém, devemos manter os ouvidos abertos e atentos. Quem se mostra surdo nesses momentos garante sua própria destruição. Jesus falou dos ouvintes obstinados: “Porque o coração deste povo está endurecido; ouviram com os ouvidos tapados e fecharam os olhos; para não acontecer que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados” (Mateus 13:15).
Em contraste, ele elogiou os discípulos que ouviam: “Bem-aventurados, porém, são os olhos de vocês, porque veem; e bem-aventurados são os ouvidos de vocês, porque ouvem” (Mateus 13:16). Devemos ouvir a voz de Deus!
Como nós respondemos ao convite repetido por Jesus várias vezes: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”?