O maior dia do ano
Duvido que alguém com mais de cinquenta anos ainda pense nisso, mas aposto que toda criança ou adolescente já pensou. Por que razões o nosso calendário é assim, tão complicado? Há meses com mais de trinta dias e outros com menos. O coitado do fevereiro fica ali, como um irmão do meio, como quem espera uma Copa do Mundo.
Inspiração de fevereiro
É sempre assim quando nos falta inspiração. Até que vem um tema e…pá! Acordei com isso: uma reforma no calendário. Tudo em nome do fevereiro. Em tempo! Danem-se os imperadores! Não vivemos mais na Idade Antiga de Júlio César e Augusto, os responsáveis por essa desigualdade nos meses. Tem até um macete para saber quando eles têm trinta ou trinta e um dias. Se olharmos a mão fechada, com os dedos voltados para baixo, vemos que o primeiro osso, do dedo mínimo, representa janeiro. O espaço entre ele e o anelar representa fevereiro, e assim por diante. Na troca das mãos, saímos de julho e entramos em agosto, no toco do indicador da mão direita.
Política
A ideia de fevereiro ter apenas vinte e oito dias, enquanto os demais têm até trinta e um, só pode ter sido obra de um capitalista insensível. Quanta desigualdade! Descontaram do coitado para agregar aos outros. É uma “pedalada calendarial”. Parece até ideia de economista que trabalha em instituto de geografia e estatística. Os criadores desse calendário não tiveram culhões para dizer que o último dia do ano teria vinte e oito horas para fechar certinho o movimento de translação da Terra. Deixavam essas quatro horinhas em carteira, até que de quatro em quatro anos, como nas eleições, acertavam as contas com o coitado do fevereiro. Como quem compra voto ou dá um vale-gás. Restitui-se um dia ao reclamento para lhe dar um pouco de dignidade, sem jamais reparar a injustiça feita ao longo dos anos. Eis a razão do ano bissexto.
Proposta
Eu quase me esquecia de contar a minha ideia, que é bem mais simples do que esse calendário secular que obedecemos com vassalagem. Basta que todos os meses tenham 30 dias e pronto. É o primeiro passo. Questão de igualdade! Facilitaria a vida dos operadores do departamento de pessoal, que não precisariam quebrar as férias (nem o salário) de ninguém. Assim sendo, os meses que têm trinta e um dias (ao total são sete) passariam a ter trinta. Janeiro e março doam um dia cada para fevereiro e já resolve o problema dele, de largada. Maio, julho, agosto, outubro e dezembro perdem um dia cada e passam a ter trinta dias e fica quase tudo resolvido.
O resto dos dias
Se o leitor chegou até aqui é porque está interessante. Vamos lá! Como janeiro e março estão quites com fevereiro, os outros cinco dias retirados dos demais farão com que o Natal ande quatro casas para trás. Quatro porque o 31 de dezembro é depois do Natal. Para não mudar o dia no espaço, mudamos só no calendário. Então, o Natal (25) passaria a ser dia 29, para desforra da minha esposa. Ela sempre reclamou do seu natalício quando lhe logravam dizendo: “é presente de Natal e aniversário, viu!” Desta forma, o Ano Novo não seria mais dia 31 de dezembro e o Natal não precisaria mais ser comemorado desde a véspera. Bastava que fosse dia 29 e já no 30 de dezembro emendaríamos com o Rebs (piada interna).
A sobra
Desse histórico acerto de contas, sobrariam cinco dias. Dias que fariam total diferença na vida da humanidade. Em vez de termos a “Confraternização Universal”, passaríamos a ter as “Férias Universais”, tempo de sobra para curar a ressaca do Réveillon. E mais! O quinto dia desse novo mês teria 28 horas e 48 minutos, para compensar com exatidão a bissextialidade que recai sobre o coitado do fevereiro, igualzinho como se fazia quando terminava o horário de verão.
O mês de cinco dias
Agora vem a grande questão. Precisaríamos de um nome para este diminuto mês de cinco dias, que ao invés de ser o último do ano, passaria a ser o primeiro, sem alusão ao trocadilho. Um pequeno mês, no qual cada um poderia fazer o que quisesse. Já pensou? Até poderia se chamar Carnaval, mas é melhor não propor muita mudança. Para atender aos direitos autorais, o primeiríssimo bem que poderia se chamar “Marcos”. Pequeno como a minha vaidade. Que tal? Primeiro de Marcos! Não seria lindo? E para reparar quem sofreu por ter nascido em 29 de fevereiro, teremos o 5 de Marcos, o maior dia do ano.