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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

O maior dia do ano

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Duvido que alguém com mais de cinquenta anos ainda pense nisso, mas aposto que toda criança ou adolescente já pensou. Por que razões o nosso calendário é assim, tão complicado? Há meses com mais de trinta dias e outros com menos. O coitado do fevereiro fica ali, como um irmão do meio, como quem espera uma Copa do Mundo.

Inspiração de fevereiro

É sempre assim quando nos falta inspiração. Até que vem um tema e…pá! Acordei com isso: uma reforma no calendário. Tudo em nome do fevereiro. Em tempo! Danem-se os imperadores! Não vivemos mais na Idade Antiga de Júlio César e Augusto, os responsáveis por essa desigualdade nos meses. Tem até um macete para saber quando eles têm trinta ou trinta e um dias. Se olharmos a mão fechada, com os dedos voltados para baixo, vemos que o primeiro osso, do dedo mínimo, representa janeiro. O espaço entre ele e o anelar representa fevereiro, e assim por diante. Na troca das mãos, saímos de julho e entramos em agosto, no toco do indicador da mão direita.

Política

A ideia de fevereiro ter apenas vinte e oito dias, enquanto os demais têm até trinta e um, só pode ter sido obra de um capitalista insensível. Quanta desigualdade! Descontaram do coitado para agregar aos outros. É uma “pedalada calendarial”. Parece até ideia de economista que trabalha em instituto de geografia e estatística. Os criadores desse calendário não tiveram culhões para dizer que o último dia do ano teria vinte e oito horas para fechar certinho o movimento de translação da Terra. Deixavam essas quatro horinhas em carteira, até que de quatro em quatro anos, como nas eleições, acertavam as contas com o coitado do fevereiro. Como quem compra voto ou dá um vale-gás. Restitui-se um dia ao reclamento para lhe dar um pouco de dignidade, sem jamais reparar a injustiça feita ao longo dos anos. Eis a razão do ano bissexto.

Proposta

Eu quase me esquecia de contar a minha ideia, que é bem mais simples do que esse calendário secular que obedecemos com vassalagem. Basta que todos os meses tenham 30 dias e pronto. É o primeiro passo. Questão de igualdade! Facilitaria a vida dos operadores do departamento de pessoal, que não precisariam quebrar as férias (nem o salário) de ninguém. Assim sendo, os meses que têm trinta e um dias (ao total são sete) passariam a ter trinta. Janeiro e março doam um dia cada para fevereiro e já resolve o problema dele, de largada. Maio, julho, agosto, outubro e dezembro perdem um dia cada e passam a ter trinta dias e fica quase tudo resolvido.

O resto dos dias

Se o leitor chegou até aqui é porque está interessante. Vamos lá! Como janeiro e março estão quites com fevereiro, os outros cinco dias retirados dos demais farão com que o Natal ande quatro casas para trás. Quatro porque o 31 de dezembro é depois do Natal. Para não mudar o dia no espaço, mudamos só no calendário. Então, o Natal (25) passaria a ser dia 29, para desforra da minha esposa. Ela sempre reclamou do seu natalício quando lhe logravam dizendo: “é presente de Natal e aniversário, viu!” Desta forma, o Ano Novo não seria mais dia 31 de dezembro e o Natal não precisaria mais ser comemorado desde a véspera. Bastava que fosse dia 29 e já no 30 de dezembro emendaríamos com o Rebs (piada interna).

A sobra

Desse histórico acerto de contas, sobrariam cinco dias. Dias que fariam total diferença na vida da humanidade. Em vez de termos a “Confraternização Universal”, passaríamos a ter as “Férias Universais”, tempo de sobra para curar a ressaca do Réveillon. E mais! O quinto dia desse novo mês teria 28 horas e 48 minutos, para compensar com exatidão a bissextialidade que recai sobre o coitado do fevereiro, igualzinho como se fazia quando terminava o horário de verão.

O mês de cinco dias

Agora vem a grande questão. Precisaríamos de um nome para este diminuto mês de cinco dias, que ao invés de ser o último do ano, passaria a ser o primeiro, sem alusão ao trocadilho. Um pequeno mês, no qual cada um poderia fazer o que quisesse. Já pensou? Até poderia se chamar Carnaval, mas é melhor não propor muita mudança. Para atender aos direitos autorais, o primeiríssimo bem que poderia se chamar “Marcos”. Pequeno como a minha vaidade. Que tal? Primeiro de Marcos! Não seria lindo? E para reparar quem sofreu por ter nascido em 29 de fevereiro, teremos o 5 de Marcos, o maior dia do ano.

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