Insultado e maltratado
O sofrimento de Jesus, por bons motivos, tem sido tema tratado em todas as formas de comunicação humana. Livro, poemas, músicas, filmes, esculturas, pinturas e outras obras de arte apresentam diversas perspectivas sobre o sacrifício redentor do Salvador. Necessariamente, as reflexões sobre a morte de Jesus incluem o fato frisado por um dos seus apóstolos: “Pois ele, quando insultado, não revidava com insultos; quando maltratado, não fazia ameaças, mas se entregava àquele que julga retamente” (1 Pedro 2:23).
A silenciosa mansidão do cordeiro levado ao matadouro (Isaías 53:7) não foi sinal de fraqueza de uma pessoa indefesa. Jesus, o onipotente Criador do Universo, poderia ter destruído em um piscar de olhos todos que se conspiraram para matá-lo. Ele tinha a sua disposição mais de doze legiões (literalmente mais de 72.000) de anjos para sua proteção (Mateus 26:53).
Jesus aceitou o sofrimento da sua missão e recusou se baixar para o nível dos seus acusadores. Não pagou com a mesma moeda. Não usou a maldade deles para justificar conduta de vingança. Recusou insultar. Recusou fazer ameaças. Deixou a justiça nas mãos do Pai.
Os religiosos responsáveis pela morte de Jesus se apresentaram como defensores da verdade na busca da justiça. É provável que alguns que participaram das tramas contra Jesus acreditassem que seus atos fossem justos e bons. Distorceram as palavras de Jesus, mas provavelmente acreditavam que estivessem apenas revelando o real sentido das palavras daquele “enganador”. Atropelaram princípios da Lei de Deus, mas isso não seria necessário para conseguir um resultado justo dentro do sistema do governo romano?
Os relatos dos Evangelhos e os comentários em outros livros bíblicos revelam a maldade dos líderes que procuravam livrar o mundo da ameaça de um homem que entendiam ser blasfemador e falso profeta. Os mesmos relatos revelam a integridade de Jesus diante das ameaças e abusos. Ele suportou todas as aflições com a confiança que a vontade de Deus seria feita.
Agora, chegamos à parte mais difícil da instrução sobre esse exemplo. Pedro disse que Jesus deixou esse exemplo “para que vocês sigam os seus passos” (1 Pedro 2:21). Quando manipuladores desonestos atacam, enfrentamos a tentação de nos rebaixar para usar as mesmas táticas carnais, mas o cristão precisa lembrar que “as armas da nossa luta não são carnais, mas poderosas em Deus” (2 Coríntios 10:4).