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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Camisas rosas

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Quem me lê aqui no Bom Dia já sabe que não costumo escrever sobre futebol. Hoje devo contar o porquê. Escrevi esta coluna quando faltava apenas uma rodada do campeonato, às vésperas do rebaixamento colorado. Também, depois da polêmica fala do laureado Abel Braga, achei que era o momento para dizer algumas palavras sobre o esporte bretão. Aliás, que difícil foi escrever este artigo. Não por ser colorado, mas pela delicadeza que é falar sobre o assunto.

A fala de Abel

Usando outras palavras, para não ser repetitivo, Abel Braga quis dizer que não queria ver jogador colorado vestindo camisas cor-de-rosa. Queria postura masculina em campo. Foi infeliz, disso ninguém duvida. Mas como deveria se comunicar o treinador? Com o time à beira do abismo, acabou sendo franco, verdadeiro e objetivo. Buscou na sua experiência a força de suas palavras. Mas foi preconceituoso. Por quê? Porque o futebol mudou. O mundo mudou, por mais que falte melhorar um bocado. E é justamente por isso que eu não gosto mais de assistir este esporte. Não é mais o mesmo. Não porque os homens usam camisas cor-de-rosa. Eles assim o fazem porque o futebol é, sobretudo, fonte inesgotável de renda para as grandes marcas. Por trás de um objetivo nobre, lucram às custas do incauto torcedor. Consumismo dez, futebol, zero. Gostava era de quando as camisetas eram sempre as mesmas, limpas, como deveria ser o esporte.

O antigo

Sou do tempo em que futebol, sim, era coisa para homem. Alguns, das cavernas, diga-se de passagem. É verdade. Dentro e fora de campo. Não significa que isso era bom ou mau. É passado. Mas quando penso naquele tempo, em que a agressividade, a raça e a técnica conviviam no mesmo espaço, tenho de concordar que o espetáculo em si, o jogo de bola, era muito melhor do que é hoje. O de hoje é um porre, que mais parece uma exposição de cães-de-raça (tipo poodles e lulus da pomerânia). Um desfile de penteados e tatuagens. Os clubes não correm atrás dos resultados em campo, não jogam mais para a torcida. Os jogadores, menos ainda. Correm atrás do dinheiro, dos likes, dos patrocínios, das bets e de toda essa podridão que se instalou no esporte. O resultado disso é o que vemos. O futebol não é mais o esporte das massas, é algo feito para as elites ganharem cada vez mais dinheiro. Ao fim, um instrumento de desigualdade social que ainda faz muita gente bater palmas, e brigar.

O atual

Mas há algo de muito positivo a ser saudado nessa decadência que virou o futebol enquanto arte. Como a beleza não está mais no jogo em si, mas no entorno, ao menos agora temos o futebol feminino para assistir. Os machistas deveriam fazer essa experiência. Assistir. Por certo que os mais antigos, como eu, verão no trabalho das mulheres a garra, a força e a entrega que não mais se vê nesses jogadores que floreiam os plantéis do futebol masculino. Ainda bem que o universo feminino soube, mais uma vez, ocupar este espaço, preservando a única coisa boa do passado: o bom futebol. É o lado bom dessa decadência masculina. Elas estão por todo o lado, nas narrações, como árbitras (muito mais assertivas) e, finalmente, nas arquibancadas. Foi-se o tempo em que uma mulher, para ir ao estádio, tinha de ir com disfarce para não ser violentamente hostilizada.

Questões

Antes que algum analista de plantão venha me dizer que meu pensamento é machista, eu mesmo digo: concordo com o Abel quanto à forma como os ditos homens têm jogado o seu futebolzinho. Foi um erro contratá-lo a esta altura. O Inter merecia cair, justamente para comprovar a decadência que se tornou este esporte, voltado totalmente ao aspecto político, financeiro e especulativo. A fala de Abel? Parou no tempo. Já não há mais espaço para os preconceitos. Ainda bem. Torço sim, é para que as mulheres possam receber salários como esses mercenários que se dizem jogadores de futebol. Elas sim, entregam um espetáculo que os homens não são mais capazes de produzir. Viva a evolução! Um mundo mais feminino é sempre um mundo mais justo e, entre a justiça e a diversão masculina, abro mão de ver futebol e fico com a primeira opção.

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