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Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Verdades inconvenientes

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Por mais que gostemos do que é real, nem sempre estamos dispostos a viver a vida como ela realmente é. Há certas ocasiões em que uma mentira até que cai bem. A razão é simples: a verdade nem sempre é conveniente. Pior ainda quando é “verdadeiramente” inconveniente.

Inconveniências

Muito se brinca quando os relacionamentos passam a ser discutidos para além dos limites da intimidade. O tal “par de chifres”, por exemplo, é um daqueles assuntos que divertem quem está de fora, mas é inconveniente para quem o vive. Quando o assunto cai “na boca do povo”, é normal que a alma ferida queira preferir a mentira do que a inconveniência da verdade. Se ser traído é ruim, passar pelo escrutínio social é pior ainda. Vai além dos dissabores da traição. Talvez explique a razão pela qual muitos preferem não saber, o que no dito popular equivale a “tapar o sol com a peneira”.

Vida real

Mas há situações na vida em que somos coletivamente hipócritas, para ser bem sincero. É como se a traição (do exemplo acima) fosse banalizada a um tal nível que a confiança nos relacionamentos afetivos se tornasse um critério sem importância e atingisse o senso comum. Algo como aceitar que mulheres sejam apedrejadas. É cultural em alguns países, eu sei, mas não dá para aceitar. É uma verdade inconveniente. Pensando bem, é mais ou menos o que acontece com aquilo que consumimos. Basta olhar a lixeira de casa. Em poucas horas de convívio já é possível observar embalagens e mais embalagens sendo acumuladas junto ao lixo para logo em seguida serem enviadas para um lugar chamado “fora”. Um simples churrasco comprado em supermercado é capaz de produzir uma enorme quantidade de lixo, sem provocar o menor remorso.

Fora

O “fora” é o nome de um lugar que não sabemos onde fica. Aliás, pouco nos importa saber onde é, embora tenhamos certeza de sua existência. Como se o caminho até a lixeira nos absolvesse de tudo o que fizemos até ali chegar e do que virá pela frente. Uma conveniente transferência de irresponsabilidade. Tudo o que perde o valor, a utilidade ou a serventia acaba por ser destinado a este “umbral das coisas”. É como o par de chifres. Não queremos saber como é, mas que há, há. Jogamos “fora” uma infinidade de coisas, além é claro, de suas reluzentes embalagens. No mundo utilitarista e consumista em que vivemos acabamos por nos tornar fabricantes de lixo e, como os cornos, sequer nos damos conta que estamos a trair nós mesmos e as gerações futuras. Talvez essas ações ocorram para que não enlouqueçamos com a vida de (m) que levamos ou assistimos os outros levarem.

Documentário

Na semana passada assisti a um interessante documentário da Netflix (talvez disponível no Brasil). Aqui em Portugal deram o nome de “A Conspiração Consumista”. Em inglês se chama “Buy Now! The Shopping Conspiracy”. Os radiciais de plantão, que se locupletam com os ganhos a qualquer custo e pouco se importam com algo que vá além do próprio ego hão de me chamar de comunista. Mas convenhamos, se for para ser assim, é preferível ser comunista do que consumista. Por mais que seja tendencioso, há muita verdade “inconveniente” descrita no filme. Ora, não sejamos hipócritas ao ponto de sair por aí comendo apenas o que plantamos. Nem quem vive da agricultura consegue ser assim. No entanto, é preciso ter mais consciência e tentar travar esses nefastos efeitos do capitalismo que vicia as pessoas no consumismo irracional. Não há como não ter indústrias, desenvolvimento e capitalismo. Basta ver a História. O que não se pode conceber, é que continuemos a ver pessoas se deixando levar por impulsos irracionais de consumo, traindo a si mesmo e ao planeta, como forma de mascarar a verdade. A inconveniente verdade de saber que estamos vivendo de maneira errada.

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