Um salmo completo (2)
Na primeira parte dessa reflexão, comentei sobre alguns dos temas abordados por Davi no Salmo 7: a necessidade da proteção divina diante das perseguições e a humildade de Davi ao admitir sua própria sujeição ao julgamento de Deus. Nessa continuação, quero focar o entendimento do salmista sobre a justiça e a graça de Deus.
A justiça divina. Como Davi e outros compositores fazem em muitos dos Salmos, ele frisa no Salmo 7 a justiça divina. Já observamos a admissão de Davi de estar sujeito ao julgamento de Deus. Dessa forma, ele introduz suas declarações sobre o escopo universal da justiça divina: “Reúnam-se os povos ao redor de ti, e das alturas domina sobre eles” (verso 7); “Fortalece o justo, pois sondas a mente e o coração, ó Deus justo” (verso 9). Como ele afirma sua inocência diante das acusações do seu perseguidor (“...julga-me, Senhor, segundo a minha justiça e segundo a integridade que há em mim” – verso 8), Davi foca a justiça a ser aplicada aos seus adversários: “Levanta-te, Senhor, na tua indignação, mostra a tua grandeza contra a fúria dos meus adversários e desperta-te em meu favor, segundo o juízo que designaste” (verso 6). Davi claramente entendeu que a justiça divina tem dois lados: livramento do justo e castigo do malfeitor.
A graça divina. Comentei na parte inicial dessa reflexão sobre a qualidade desse Salmo como uma apresentação completa de temas importantes das Escrituras. Não podemos falar sobre a mensagem bíblica sem considerar a misericórdia e clemência de Deus. Obviamente, Davi queria o benefício da graça no livramento da perseguição. Um verso do Salmo oferece, implicitamente, esperança até para os malfeitores: “Se alguém não se converter, Deus afiará a sua espada” (verso 12). Da mesma forma que Davi se arrependeu depois de cometer graves ofensas contra Deus, ele reconhece a possibilidade da conversão de outros.
O louvor devido ao Senhor. Como o cabeçalho descreve esse Salmo como “Cântico de Davi, entoado ao Senhor”, não nos surpreende encontrar essa ênfase no final: “Eu, porém, louvarei o Senhor, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor Altíssimo” (verso 17).
Em 17 versos, Davi resumiu a mensagem do Evangelho. Ele reconheceu a necessidade da proteção divina diante de uma ameaça real. Exaltou a justiça divina para outros e para ele mesmo e sugeriu que a graça de Deus seria estendida até aos inimigos. No final, ofereceu louvor ao Senhor.