Um salmo completo (1)
Eu participo de uma comunidade de cristãos (pode ser chamada de igreja ou congregação, todos termos bíblicos) na qual dedicamos tempo todas as semanas ao louvor. Aproveitamos vários hinos “tradicionais” e, ao mesmo tempo, empregamos mensagens dos Salmos. Em termos práticos, é quase impossível cantar os Salmos sem alguma modificação de rimas e ritmos. O trabalho dessas adaptações exige o estudo de cada Salmo, considerando informações sobre o contexto histórico e o desenvolvimento de temas importantes.
Ao adaptar a letra do Salmo 7, fiquei impressionado com a riqueza desse hino de Davi como um salmo completo, no sentido de incluir uma série de elementos fundamentais na mensagem geral do plano divino para a nossa salvação. Alguns Salmos tratam de parte da mensagem – falam do pecado que traz a ira divina, mas não tratam da redenção, ou falam da redenção sem enfatizar o problema do pecado. Salmo 7, porém, consegue tocar nesses e outros temas em apenas 17 versos. Nesta e na próxima reflexão, vamos considerar alguns temas importantes abordados nesse Salmo.
A necessidade da proteção divina: “Senhor, meu Deus, em ti me refugio; salva-me de todos os que me perseguem e livra-me” (verso 1). Davi sofria perseguição, especificamente pelas palavras de Cuxe, o benjamita (cabeçalho do Salmo). É possível que esse Cuxe seja Simei, um benjamita que atirou pedras e amaldiçoou Davi quando o rei saiu de Jerusalém para evitar uma batalha contra seu filho Absalão na capital (2 Samuel 16:6-13). Davi não depositou sua confiança nos valentes que o cercavam. Ele orou ao Senhor.
A realidade da ameaça: “...para que ninguém, como leão, me arrebate, despedaçando-me, não havendo quem me livre” (verso 2). Ele fala da fúria, maldade, mentiras e violência dos adversários (versos 6,14,15,16).
A admissão da sua própria sujeição ao julgamento divino. Ele disse que o sofrimento seria merecido se ele fosse culpado dos crimes dos quais foi acusado: “...se eu fiz isso de que me culpam, se cometi alguma injustiça, se paguei com o mal a quem estava em paz comigo, ...então que o inimigo me persiga e me alcance, pisoteie no chão a minha vida e reduza a pó a minha glória” (versos 3-5). Suas palavras nos lembram da defesa de Jó, pois Davi afirma sua integridade e inocência diante das acusações do perseguidor (versos 8 e 9, comparados com Jó 31).
Na próxima reflexão, vamos observar o entendimento de Davi sobre a justiça e a graça de Deus.